Nos últimos dias passei mais tempo entre lugares do que de fato neles.
Graças a promoções das companhias aéreas e as facilidades (ou enforcamentos disfarçados?) dos cartões de crédito, acabei fazendo uma série de viagens.
Depois que os procedimentos de embarque viram uma certa rotina, você nem percebe a riqueza cultural que se é viajar, não só chegar, mas o trajeto em si.
Dividir um espaço, mesmo que por poucas horas, com pessoas que provavelmente eu não vá ver mais, faz minha imaginação não me deixar dormir e criar histórias, diálogos e motivos para as viagens de cada um.
Passei a achar, depois de muitos anos como admiradora de nuvens, o interior do avião tão interessante quanto o sol ou a chuva fora.
Não nego que continuo me imaginando saltitando entre aqueles algodões fofos ou que sempre me impressiono com o fato da inteligência do homem (seja ele brasileiro ou não) colocar no ar algo tão pesado.
Mas se tirarmos o fone de ouvido e fecharmos o livro, vamos descobrir um mundo totalmente novo.
Do que será que aquelas duas moças tanto riem?
Será que os negócios do homem engravatado são tão importantes pra ele comentar com um outro em voz alta?
Em quem esse senhor pensa enquanto olha pela janela com um olhar tão triste?
Qual livro essa senhora lê ao meu lado?
Pelo que o bebê chora?
Sério mesmo que só tem amendoim?
Céus..como era mesmo aquela oração?
Aquela freira no vôo deve ser bom sinal. Ou não?
O casal de mãos dadas e olhos fechados...eles tem medo ou será amor mesmo?
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