Como é que a gente gosta de alguém que a gente nem conhece?
Parece besteira dizer que se apaixonou por alguém que a gente nunca viu.
Não sabe o rosto, a cor do cabelo, se tem mão de pianista,
se pisca de um olhos só ou se sabe assoviar daquele jeito que dá pra ouvir de longe.
É engraçado quando eu conto que esse alguém ainda nem nasceu,
e piora quando eu explico que tá morando na barriga de outra pessoa.
Decididamente me tornei daquelas tias que carrega fotos do ultrasom no celular
e tenta dar o maior zoom possível pra todo mundo entender que aquele pontinho é a pessoa mais amada da galáxia, e nem pessoa direito é ainda.
Eu que sempre evitei o título e as piadinhas de "ficar pra titia", agora me vejo dizendo em alto e bom som que serei tia de uma princesa.
Uma princesa por enquanto de 60 gramas mas dona de um coração que bate forte, como bateu o meu quando eu soube que ela vinha.
E se a gravidez deixa a mulher sensível, acho que sou um caso pra estudo.
Nem sou eu com a missão de carregar uma vida e não consigo parar de chorar.
Mas é choro bom. É choro de espera. Choro de ansiedade.
Então bebê, que esses 9 meses (que agora são 6. Ufa) passem voando.
Mas que depois o tempo ande bem devagarinho, no ritmo dos seus primeiros passinhos.
Não vejo a hora de te ver chegar e entrar correndo aqui em casa.
Ouvir as histórias malucas que a Vovó inventar e gritar gol do Timão com o Vovô.
Prometo te dar as melhores cicatrizes através de muitas aventuras, que a gente vai contar aos poucos pra não matar a mamãe do coração.
E quando chegar a vez de aprender os números, a gente aprende logo uma conta bem difícil pra fazer o papai chorar.
Vem pra gente bagunçar a vida de todo mundo e acordar bem cedo no domingo com uma risada alta que eu sei que você vai ter.
Quando você chegar, aquela com cara de boba, tentando te filmar mas provavelmente não conseguindo, serei eu.
Te espero.
Beijos, dinda!